Alguém manda um print e pergunta se isso é IA, e a partir de um print não dá para responder. Muitas fotos de IA agora carregam um rótulo escondido, mas o print copia a imagem que você vê e não copia o rótulo. Então você está olhando a imagem com a prova já sumida.
O Google e outros estão colocando esses rótulos em 2026. Dá para checar alguns no Gemini, e em breve na Busca e no Chrome, o que ajuda e não conserta um print, um encaminhamento no WhatsApp ou um “salvar como” que jogou fora o dado extra.
O Google explica os dois rótulos na nota sobre identificar mídia gerada por IA: o SynthID fica oculto nos pixels, enquanto as Content Credentials (C2PA) formam um registro assinado digitalmente nos metadados. O Gemini já verifica os dois, e Busca e Chrome receberão o recurso.
A Ars Technica comparou SynthID e C2PA e mostrou que a marca incorporada aos pixels costuma permanecer depois de uma edição comum, enquanto a credencial assinada é fácil de remover. Uma captura de tela, o comando “salvar como” ou a compressão de um aplicativo de mensagem pode preservar a imagem e eliminar essa credencial.
Dois tipos de rótulo
O primeiro tipo é um registro de procedência associado ao arquivo, chamado Content Credentials (C2PA). Ele pode informar se a imagem veio de uma câmera, foi criada no ChatGPT ou passou por edição. Quando presente, é difícil de falsificar, mas pode ser removido por capturas de tela, exportações, aplicativos de mensagem e alguns comandos de “salvar como”.
O segundo tipo fica incorporado aos pixels e é chamado pelo Google de SynthID: ele não é visível e exige uma ferramenta de verificação. A marca costuma permanecer depois de um recorte ou de uma compressão comum, mas só existe quando a ferramenta que criou a imagem adicionou essa informação. A ausência da marca não prova que a foto foi feita por uma pessoa, apenas que o SynthID não foi encontrado.
Uma verificação no Chrome pode confirmar que a imagem foi criada com um modelo do Google, mas não pode provar que outro arquivo foi feito sem IA. Um resultado vazio não é uma confirmação de autenticidade.
Quando alguém pergunta
Eu peço o arquivo original: o download da câmera ou da ferramenta de IA, não a imagem da conversa. Se a pessoa só tem um print, eu digo que estamos chutando, e chutar serve, mas chamar de prova não.
Se tenho o original, verifico três aspectos. Muitas imagens de IA ainda saem com cerca de 1024 pixels de lado, letras podem aparecer deformadas e os metadados podem não trazer o modelo da câmera. Essa ausência em uma suposta foto de celular merece atenção, embora não prove a origem.
Depois, uso o verificador do Google quando ele estiver disponível. Um resultado positivo confirma a presença da marca, mas um resultado vazio não comprova que a imagem seja autêntica.
Comprima a cópia, não o original
Eu ainda comprimo as fotos que envio, porque e-mail de 4 MB é falta de educação. O arquivo pequeno é para envio e o original é para guardar: se alguém depois precisar saber como a foto foi feita, eu mando o original, não a cópia da conversa.
Muito “deixei menor para o e-mail” também significa “apaguei as Content Credentials”: a imagem parece a mesma e a nota sumiu.
Recorte é parecido. Um recorte pode manter a marca oculta nos pixels se você guardar esses pixels, mas um recorte que você depois imprime da tela é uma foto nova sem nota. Eu recorto para enquadrar o assunto e não recorto para esconder um rótulo.
O que eu guardo
Guardo o original da câmera e o primeiro download de uma ferramenta de IA, dou nomes claros e apago o quinto “final_para_web” que eu não sei explicar.
Se eu publico uma imagem gerada por IA, informo isso na legenda, porque a marca oculta pode se perder durante edições e conversões. Se eu mesmo tirei a foto, não faço brincadeiras com a expressão “feito com IA”, porque isso reduz a clareza dos rótulos.
A gráfica não considera essas marcas ao avaliar a impressão; ela verifica resolução, texto e o PDF final. Um rótulo não torna adequada para impressão uma imagem de IA com poucos pixels. Este artigo trata justamente da informação de origem que pode ser removida durante o processamento do arquivo.
O que eu não faço
Não mando um print comprimido de um flyer de IA e chamo de arquivo oficial. Mando o download da ferramenta, ou um PDF de layout de verdade, ou digo que só tenho uma prévia.
Se um cliente encaminha uma imagem pelo WhatsApp e pede para verificar se foi feita por IA, explico que a análise fica incompleta porque o aplicativo pode ter recomprimido o arquivo e removido a credencial. Posso examinar letras e dimensões, mas não confirmar a origem apenas com essa cópia.
Também não uso uma captura do painel “isso é IA” como substituta do rótulo. O arquivo salvo depois não preserva a marca original; quem precisar verificar a procedência deve receber o arquivo que ainda contém essa informação.
Onde eu checo
Checo no Gemini quando tenho o arquivo original e vou checar na Busca ou no Chrome quando isso chegar no meu celular. Não checo um print e depois escrevo um texto longo sobre o resultado, porque o resultado é sobre uma cópia, não sobre a origem.
Não pago um site aleatório de “detector de IA” com uma caixa de envio e sem nome. Se a marca é do Google, uso o verificador do Google, e se a marca é Content Credentials, preciso de uma ferramenta que leia essa nota. Um site que só “chuta o estilo” é cara ou coroa.
Para os meus arquivos eu uso duas pastas, originais e envio: originais nunca vão para conversa e envio é onde eu comprimo. Se eu misturo essas pastas, mando o errado, e já fiz isso. A outra pessoa fica com uma imagem sem rótulo e sem caminho de volta.
Se baixo uma imagem do ChatGPT ou do Gemini, salvo esse download como original e não salvo a prévia que eu tirei da tela no chat. O download é o arquivo que ainda pode carregar a marca.
Checklist
1. Pergunte: isso é o original, ou um print?
2. Se for print, eu digo que não consigo provar. Só dá para olhar com os olhos.
3. Se for o original, checo tamanho, letras e informações do arquivo.
4. Depois rodo o verificador oficial se eu tiver.
5. Um resultado positivo confirma a marca; um resultado vazio é inconclusivo.
6. Guardo o meu original na pasta de originais. Envio uma cópia comprimida da pasta de envio.
Essa é a rotina inteira: é mais lenta que um chute no grupo e também é a única rotina que não inventa um sim.
Peça o arquivo original e use o print como prévia, não como prova. Confie no verificador quando ele disser sim, mas não confie num resultado vazio: guarde um mestre, envie uma cópia pequena e escreva na legenda quando a foto não veio de uma câmera.
