Fotógrafo publica zine sobre câmeras de vigilância espalhadas nas cidades dos EUA

Depois de cobrir protestos, Matthew Hatcher percebeu quantos dispositivos registram o cotidiano urbano e reuniu o registro no booklet We've Been Watching You.

Câmera de segurança em cruzamento de Washington observa via com cartaz ao fundo, foto de Matthew Hatcher
Matthew Hatcher via PetaPixel

Notícia

Matthew Hatcher, fotógrafo independente baseado em Filadélfia, publicou o zine autoral We've Been Watching You para registrar câmeras de vigilância instaladas em esquinas, parques, lojas e residências nos Estados Unidos. O projeto ganhou destaque internacional nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, quando o PetaPixel publicou entrevista com Hatcher sobre a rede crescente de monitoramento visual urbano.

Fato confirmado: o fotógrafo criou o booklet e disponibiliza cópias mediante solicitação na página de contato do site mhatcherphotography.com. Alegação de Hatcher, reproduzida pelo PetaPixel: em qualquer grande área urbana, cidadãos vivem sob vigilância quase constante, e quem começa a procurar encontra câmera em quase todo cruzamento.

Matthew Hatcher divulga o zine [We've Been Watching You](http://www.mhatcherphotography.com/contact) na página de contato oficial, e o PetaPixel publicou em 24 de agosto de 2026 entrevista com fotos creditadas ao autor sobre a rede de câmeras de vigilância nos EUA.

Como o projeto começou

Em 2025, enquanto cobria protestos em Washington, Nova Orleans e Filadélfia, Hatcher passou a refletir sobre uso policial de reconhecimento facial e rastreamento de dados. No fim do ano, numa caminhada curta até a academia, percebeu que era observado por câmeras de segurança em praticamente todo o trajeto.

Naquele momento percebi que nós, cidadãos americanos, não estamos sendo monitorados só em protestos ou pela polícia, recorda Hatcher ao PetaPixel. Isso é depoimento pessoal, não levantamento estatístico independente sobre quantas câmeras existem nos EUA.

Números citados na reportagem

O PetaPixel reproduz pesquisa da Comparitech segundo a qual a média das cidades americanas teria 11 câmeras de vigilância para cada mil habitantes. Atlanta apareceria como a mais monitorada, com mais de 124 câmeras por mil habitantes. Esses valores vêm de estudo de terceiros citado na matéria; o ImgUtils não auditou a metodologia original.

Uma legenda de foto de Hatcher informa que, em 2024, a cidade de Filadélfia operava uma rede de 7.000 câmeras de segurança. Esse dado municipal aparece no material visual publicado pelo PetaPixel e não foi confirmado separadamente nesta redação junto a documento oficial da prefeitura.

O que o zine mostra

We've Been Watching You reúne fotografias de câmeras e dos espaços que elas vigiam. Uma imagem de Washington mostra unidade branca com duas câmeras tipo domo e alto-falante diante de cartaz com retrato ampliado; outra, em Filadélfia, registra câmera perto do Thomas Jefferson University Hospital acompanhando veículos e pedestres.

Pedestres passam perto do City Hall de Filadélfia em foto também creditada a Hatcher. O conjunto funciona como inventário visual: em vez de discutir vigilância só em abstracto, o fotógrafo aponta a lente para o hardware instalado na rua.

Argumentos a favor e contra

Defensores de câmeras e leitores de placas dizem que o equipamento reforça segurança, gera evidências, acelera resposta a emergências, reduz custos e ajuda conformidade regulatória. Críticos citados pelo PetaPixel temem poder policial ampliado, erosão de privacidade, dependência excessiva de tecnologia e risco de erro, invasão ou uso indevido.

O debate ganhou cobertura recente em veículos como NBC, NPR e ACLU, citados na matéria do PetaPixel sobre empresas de vigilância e vandalismo a câmeras Flock. Essas referências contextualizam o clima político em que Hatcher lança o zine, mas não fazem parte do projeto fotográfico em si.

Quem é Matthew Hatcher

Fotos de Hatcher circulam via Bloomberg, AFP, Getty Images, Reuters e Huffington Post, segundo o PetaPixel. Ele se formou em 2013, trabalhou em jornais de Indiana e Ohio, recebeu reconhecimento da Associated Press e da Ohio News Photographers Association e se mudou para Filadélfia em janeiro de 2024.

Em 2020, policiais de Detroit dispararam balas de borracha contra Hatcher, Nicole Hester e Seth Herald durante cobertura de protestos após a morte de George Floyd. O caso contra um oficial foi arquivado em 2024 porque testemunhas não estavam disponíveis e os fotógrafos haviam se mudado de Michigan, conforme o U.S. Press Freedom Tracker citado pelo PetaPixel.

Em dezembro de 2024, a galeria Pictures of the Day da Reuters abriu com foto de Hatcher do suspeito de assassinato Luigi Mangione chegando a tribunal para audiência de extradição. Hatcher disse ao PetaPixel que Mangione ficou no enquadramento por sete segundos.

Conclusões do fotógrafo

Hatcher resume quatro pontos no PetaPixel. Primeiro, a tecnologia pode ajudar a resolver crimes, localizar desaparecidos e aumentar segurança, mas também cria tentação de abuso. Segundo, usos indevidos incluem identificações erradas por software e autoridades que exploram leitores de placa para perseguir parceiros românticos ou ex-parceiros.

Terceiro, ele observa ironia: cresceu ouvindo críticas dos EUA a regimes totalitários que usavam vigilância em massa. Quarto, acha estreito tratar o tema como exclusivo do governo Trump, porque a rede vem crescendo sob administrações republicanas e democratas. Essas quatro linhas são opinião editorial de Hatcher, não veredito jurídico.

Próximos zines

Hatcher pretende produzir série em três partes. Depois da vigilância em massa, o próximo tema será militarização da polícia nos Estados Unidos e no exterior. Plano anunciado pelo fotógrafo ao PetaPixel; nenhuma data de publicação foi divulgada.

Privacidade visual e arquivo fotográfico

Quem fotografa a cidade para denunciar vigilância ainda carrega responsabilidade sobre o que aparece no quadro. Rostos de transeuntes, placas de veículos, fachadas de hospitais e cartazes políticos podem identificar terceiros sem consentimento.

Antes de publicar série própria ou compartilhar frame de reportagem, vale ocultar dados que não fazem parte do argumento em cópia de trabalho e preservar o arquivo original completo fora das redes. Ocultar no navegador do ImgUtils não impede gravação por câmera alheia, mas reduz exposição de pessoas que entraram apenas como passagem no fundo.

Fotógrafos documentais também precisam separar denúncia de exposição desnecessária. Hatcher escolhe enquadrar hardware de vigilância e contexto urbano; quem replica a abordagem deve revisar se rostos legíveis agregam informação ou apenas ampliam monitoramento indireto.

Limites do que está confirmado

Confirmado: zine existe, Hatcher o divulga e o PetaPixel publicou matéria em 24 de agosto de 2026 com fotos creditadas ao autor. Confirmado: fotógrafo vive em Filadélfia e cobre notícia para agências internacionais. Não confirmado independentemente: total nacional de câmeras, eficácia de políticas locais e comparativo exato entre cidades além dos números citados via Comparitech e legenda municipal.

Inferência editorial: projetos como We've Been Watching You ganham relevância quando debate sobre Flock, reconhecimento facial e câmeras privadas volta ao noticiário, mas o zine é obra autoral, não auditoria governamental. Quem busca prova legal sobre vigilância ainda precisa de registros públicos, contratos municipais e jurisprudência, não só de álbum fotográfico.

Rumor ou extrapolação: nenhuma prefeitura citada anunciou desmontagem de rede por causa do zine. O trabalho de Hatcher documenta presença física das câmeras e convida o leitor a notar o que já estava instalado, o que difere de prever mudança imediata de política pública.

Leitura para quem edita imagem

Fotografia de vigilância invertida, apontar câmera para câmera, reutiliza linguagem do fotojornalismo de rua. Iluminação difícil, reflexos em domos de acrílico e fios expostos exigem atenção na captura e na pós-produção, embora o PetaPixel não detalhe equipamento usado por Hatcher neste projeto.

Para arquivo pessoal inspirado no método, comprimir demais pode apagar placas ou detalhes de fixação que sustentam a narrativa. Quem publica online deve assumir que metadados EXIF podem revelar localização exata da captura, dado sensível quando o assunto é justamente rastreamento urbano.

Enquanto o zine permanecer obra autoral sem auditoria municipal, a discussão sobre vigilância urbana continua dependendo de registros públicos e política local, não só de inventário fotográfico.