Meta libera app que cria minijogos com IA após teste no Brasil

Pocket transforma comandos de texto em experiências interativas que usam fotos, câmera e sensores do celular.

Telas do Meta Pocket mostram criação, edição e seleção de experiências interativas
Imagem da Meta/Engadget

Notícia

A Meta liberou o Pocket para usuários dos Estados Unidos depois de testar o aplicativo discretamente no Brasil desde julho. O serviço gratuito usa inteligência artificial para transformar comandos de texto em pequenas experiências interativas, chamadas de gizmos, que podem ser jogadas, publicadas e modificadas por outras pessoas.

Pocket está disponível para iPhone e Android, mas a própria Meta avisa que o lançamento ainda não chegou a todos os países e que alguns recursos variam conforme a região. O aplicativo exige uma conta Meta e mistura criação por IA com uma rede social: cada gizmo entra em um feed no qual o público pode jogar, curtir, comentar, salvar, repostar ou criar uma versão derivada.

O Engadget registrou a chegada do Pocket aos Estados Unidos em 20 de agosto de 2026, depois de uma fase de testes no Brasil. O aplicativo gratuito cria experiências interativas por comandos de texto e publica os resultados em um feed social.

Na central de ajuda do Pocket, a Meta confirma que gizmos podem usar toque, inclinação, câmera, microfone, música e efeitos sonoros. A página também informa que interações ajudam a melhorar a IA da empresa, remixes podem circular fora dos produtos Meta e a exclusão do post original não remove versões derivadas existentes.

O TechCrunch relata que o teste brasileiro começou discretamente em julho e relaciona o produto à contratação da equipe do Gizmo. O TNW acrescenta que o aplicativo anterior foi encerrado na expansão americana e que a Meta ainda não divulgou usuários, criações ou planos de anúncios.

O que é um gizmo

Gizmo é o nome usado pela Meta para uma experiência interativa gerada por IA. Pode ser um minijogo controlado por toques e pela inclinação do celular, mas também pode funcionar como tela de desenho, brinquedo visual, questionário ou outra atividade curta que não se encaixa na definição tradicional de jogo.

A criação começa com uma descrição em texto. O usuário explica o que quer, o Pocket produz uma primeira versão e oferece controles para ajustar aparência, texto, imagens e sons. Não é necessário escrever código, embora o resultado continue sendo uma pequena aplicação com regras, elementos visuais e formas de interação.

Esse processo costuma ser chamado de vibe coding, expressão usada para descrever a criação de programas por conversa com uma IA. Em vez de digitar cada instrução em uma linguagem de programação, a pessoa descreve o resultado e pede mudanças; o modelo cuida da implementação, mas isso não garante que todas as regras funcionem como esperado.

Sensores e arquivos do celular

Os gizmos conseguem responder a toques, gestos de arrastar, inclinação e movimento do aparelho. Eles também podem tocar efeitos sonoros e trechos de músicas, usar o microfone, abrir a câmera ou incorporar imagens da galeria, desde que o usuário conceda as permissões correspondentes.

Esses recursos permitem experiências que seriam difíceis de resumir como minijogos. Uma criação pode transformar uma flor da galeria em pincel, usar a inclinação para mover um personagem ou capturar uma foto durante a atividade. O Pocket também permite salvar no aparelho imagens produzidas por alguns gizmos.

O acesso à câmera e à galeria merece atenção porque uma brincadeira compartilhada pode carregar informação pessoal para um serviço conectado à conta Meta. Antes de usar uma captura de tela ou foto de família em um gizmo, faça uma cópia e oculte dados pessoais, além de revisar as permissões solicitadas pelo aplicativo.

A Meta informa que as interações com os gizmos são usadas para melhorar sua inteligência artificial. Dados da conta, como nome, idade, foto de perfil e histórico relacionado às regras da plataforma, também podem participar da personalização e da segurança do serviço. Dependendo da região, a atividade com IA ainda pode ajudar a personalizar conteúdo e anúncios.

Feed e remixes

Toda criação publicada pode aparecer no feed do Pocket. Outras pessoas conseguem abrir o gizmo sem instalar o aplicativo quando recebem um link, estratégia que reduz a barreira para compartilhar uma experiência fora da plataforma. Para criar, comentar ou manter um perfil, porém, é preciso entrar com uma conta Meta.

O autor escolhe se permite remixes. Quando a opção está ligada, qualquer pessoa pode reutilizar o post e as mídias para publicar uma variação dentro ou fora dos produtos da Meta. A regra tem um efeito que precisa ficar claro antes da publicação: excluir o gizmo original não apaga remixes que já foram criados.

Isso significa que uma foto enviada como parte da experiência pode continuar em uma versão derivada mesmo depois que o primeiro post desaparece. Desativar remixes reduz esse alcance, mas não desfaz cópias, capturas de tela ou compartilhamentos realizados enquanto o conteúdo estava disponível.

Como em outras redes com conteúdo gerado por usuários, a moderação precisa lidar com material ofensivo, direitos autorais e respostas incorretas da IA. A Meta aplica seus Padrões da Comunidade e pode remover uma criação ou limitar a conta, mas também alerta que o modelo pode produzir conteúdo inadequado e não deve ser usado para decisões importantes.

O teste começou no Brasil

O Pocket apareceu primeiro no Brasil em julho, sem uma campanha ampla de lançamento. A expansão para todos os usuários dos Estados Unidos aconteceu em 20 de agosto, cerca de um mês depois, mas a Meta não informou quantas pessoas participaram do teste brasileiro, quantos gizmos foram criados nem o que aprendeu antes de ampliar o acesso.

A escolha do Brasil como mercado inicial segue uma prática conhecida no setor: empresas testam produtos sociais em um público numeroso antes de levá-los ao principal mercado comercial. Neste caso, faltam dados para saber se o uso brasileiro confirmou a proposta ou apenas ajudou a encontrar problemas técnicos.

O aplicativo ainda não está disponível em todo o mundo. As páginas das lojas e a central de ajuda devem ser consultadas em cada país, porque a presença de uma conta Meta não libera automaticamente o download nem todos os recursos.

A origem no app Gizmo

O nome das criações não surgiu no Pocket. No início de 2026, a Meta contratou quase toda a equipe da Atma Sciences, responsável por um aplicativo chamado Gizmo, e obteve uma licença não exclusiva para sua tecnologia. As duas experiências usam a mesma ideia e o mesmo termo para o conteúdo criado.

A Atma encerrou o Gizmo original no mesmo dia em que o Pocket chegou aos Estados Unidos. A operação foi uma contratação de equipe com licenciamento, não a compra completa da empresa, mas o resultado para o público foi a substituição de um aplicativo independente por um produto da Meta.

O Pocket usa o modelo Muse Spark, desenvolvido pela Meta Superintelligence Labs. A empresa colocou essa tecnologia em um aplicativo próprio enquanto desenvolvedores ainda aguardavam uma forma estável de acessar o modelo por API, a interface que permitiria integrar a geração de gizmos a outros serviços.

Pocket não é o antigo serviço de leitura

O nome pode causar confusão com o Pocket da Mozilla, serviço usado para salvar artigos e ler depois. A Mozilla encerrou aquele produto em 2025, e o novo Pocket pertence à Meta, exige outra conta e tem uma função completamente diferente.

O aplicativo atual não organiza notícias nem recupera listas do antigo serviço. Ele é uma rede de experiências criadas por IA, portanto instalar o Pocket da Meta não restaura itens que estavam guardados na conta da Mozilla.

Um novo formato social

A Meta vem testando aplicativos independentes com rapidez e atribui parte desse ritmo ao uso de IA no desenvolvimento. Pocket se junta a experiências como Vibes, feed de vídeos gerados por inteligência artificial dentro do Meta AI, mas troca o vídeo passivo por algo que responde ao usuário.

A empresa ainda não informou como pretende ganhar dinheiro com o Pocket. Não há anúncios no aplicativo neste momento, nem uma integração anunciada com Instagram ou Facebook, e também não foram divulgados números de usuários. O feed, os remixes e os links públicos mostram potencial de distribuição, mas não provam que as pessoas continuarão usando as criações depois da novidade inicial.

O Pocket transforma a geração por IA em um formato social que vai além de texto, imagem ou vídeo: cada publicação pode responder ao toque, aos sensores e a arquivos do celular. A facilidade de criar não elimina as decisões sobre privacidade e circulação, principalmente quando fotos entram em remixes que podem continuar disponíveis depois da exclusão do original.