Singapura abre consulta pública sobre uso de fotos e obras protegidas para treinar IA

MinLaw e IPOS recebem contribuições até 22 de outubro de 2026; Edwin Tong anunciou o processo no Global Forum on IP e o paper oficial inclui imagens entre obras disputadas em litígios globais.

Global Forum on Intellectual Property na Singapore IP Week 2026, onde Edwin Tong anunciou a consulta sobre IA e direitos autorais
The Straits Times / Kua Chee Siong

Notícia

A consulta pública sobre inteligência artificial e propriedade intelectual em Singapura abriu em 26 de agosto de 2026, com prazo de contribuições até 22 de outubro às 17h, horário local. Fato confirmado pela página oficial do Ministério da Lei (MinLaw) em mlaw.gov.sg e pelo documento PDF publicado no mesmo dia: MinLaw e o Intellectual Property Office of Singapore (IPOS) pedem opiniões sobre como adaptar direitos autorais e patentes ao treinamento de modelos generativos, à responsabilidade por saídas que infrinjam obra protegida e ao papel da criação humana quando a IA entra no fluxo de produção de imagens, texto, áudio e código.

O anúncio ocorreu no Global Forum on Intellectual Property, dentro da Singapore IP Week 2026, no Marina Bay Sands Expo and Convention Centre. Fato confirmado pelo The Straits Times e pela AsiaOne em 26 de agosto: o ministro da Lei Edwin Tong apresentou a consulta no fórum e citou processos globais envolvendo livros, reportagens, imagens e música usados para treinar IA sem licença. Inferência editorial: ao incluir imagens explicitamente na lista de obras disputadas, o governo sinaliza que fotógrafos e ilustradores entram no escopo tão quanto editoras de texto.

A página oficial do MinLaw confirma abertura em 26 de agosto de 2026 e prazo até 22 de outubro, enquanto o The Straits Times documenta o anúncio de Edwin Tong no Global Forum on IP citando imagens entre obras disputadas em litígios internacionais.

O The Straits Times publicou em 26 de agosto o lançamento da consulta com citações de Edwin Tong sobre autoria humana, enquanto a página oficial do MinLaw em mlaw.gov.sg confirma o período de 26 de agosto a 22 de outubro de 2026 e os formulários separados para copyright e patentes.

O que a consulta pergunta sobre copyright

O documento oficial divide copyright em três blocos. Primeiro, certeza e responsabilidade no treinamento de IA: se a exceção de análise computacional de dados (CDA) introduzida na reforma de 2021 continua clara o bastante para machine learning generativo, como deve funcionar o acesso lícito às obras e que medidas técnicas não vinculantes a indústria pode adotar. Segundo, gestão de risco quando modelos geram saída que infringe direito autoral, incluindo repartição de responsabilidade entre desenvolvedores, quem implanta o sistema e usuário final. Terceiro, natureza da criatividade humana em obras assistidas por IA, ou seja, quando escolhas como prompt, seleção, edição e arranjo justificam proteção autoral.

Fato confirmado pelo PDF: a exceção CDA já reconhece uso de obras protegidas para machine learning em contexto comercial e não comercial, desde que o acesso seja lícito, sem contornar paywall. Alegação do governo no paper, não sentença judicial desta redação: a exceção foi pensada como neutra em relação à tecnologia e se aplica também a IA generativa, contrariando quem argumenta que treinar e gerar saída seriam fins distintos fora do escopo legal.

Contexto para quem publica fotos na internet

Singapura modernizou a Copyright Act em 2021 justamente para análise computacional e inovação orientada a dados. O paper de 2026 reconhece que sistemas atuais produzem texto, imagens, áudio, vídeo e código, e que disputas migraram do ato de copiar para treinar até substituição comercial de obras existentes e pareamento visual com material do conjunto de treino.

Para fotógrafos brasileiros que só acompanham litígios nos EUA ou na União Europeia, a consulta importa porque define se um hub asiático de serviços financeiros e tecnologia manterá caminho permissivo com salvaguardas ou migrará para licenciamento obrigatório. Rumor a evitar: tratar o resultado de outubro como lei promulgada; o documento é consulta, não projeto de lei final.

Citações de Tong e panorama internacional

Citação confirmada de Edwin Tong retomada pelo The Straits Times: tribunais e escritórios de PI concordam que autor deve ser humano, mas falta linha clara sobre que atos de quem faz prompt demonstram criatividade suficiente. Outra citação do ministro, via matérias de 26 de agosto: não convém, a longo prazo, usar obras criativas em escala industrial para IA sem arcabouço que considere como foram produzidas.

O jornal cita o caso Anthropic nos EUA, condenada a pagar US$ 1,5 bilhão por usar e-books piratas para treinar Claude, mas absolvida quando escaneou livros físicos comprados e destruídos, considerado fair use transformador. Fato reportado pelo ST, não decisão singaporeana: serve como exemplo de divergência internacional que Tong promete estudar antes de calibrar a resposta local.

Tong também mencionou medidas técnicas para quem não quer obra no treinamento, reconhecendo que titulares com menos recursos podem precisar de apoio estatal para implementá-las. Alegação de política pública, sem detalhar subsídio ou prazo nesta redação.

Patentes e inventores humanos

Além de copyright, a consulta pergunta como princípios de inventorship se aplicam quando humanos formulam problema, escolhem entre saídas de IA ou modificam solução técnica gerada por modelo. Segundo bloco: efeito de divulgações técnicas geradas por IA no prior art, com impacto em buscas, exame e incentivo à inovação.

Fato confirmado: formulários separados em go.gov.sg/ai-ip2026-copyright e go.gov.sg/ai-ip2026-patents, além de e-mail para MinLaw. Prazo único: 22 de outubro de 2026, 17h.

Medidas técnicas e o que fotógrafos podem fazer agora

O anexo A do paper oficial lista medidas técnicas e padrões desenvolvidos pela indústria, incluindo sinalização de opt-out e proveniência. Inferência prática: a consulta não inventa bloqueio mágico contra scraping, mas pergunta como combinar exceção legal, licença comercial e etiquetas de máquina de forma viável comercialmente.

Quem publica portfólio online e quer reduzir superfície de reutilização não autorizada pode exportar versões para web sem metadados sensíveis e com resolução limitada, preservando arquivo-mestre com EXIF intacto para prova de autoria. Eu uso Conversor no ImgUtils para gerar cópia JPEG leve a partir do RAW ou TIFF original, separada do arquivo que fica no disco para licenciamento. A ferramenta no navegador não impede scraping nem substitui registro em cartório, mas ajuda a controlar o que circula abertamente enquanto a consulta singaporeana discute se treinar com essa circulação continuará coberto pela exceção CDA.

Singapura no tabuleiro global de IA visual

O paper compara abordagens internacionais: alguns países permitem mineração de texto e dados com salvaguardas, outros exigem autorização e licença. Fato confirmado no documento: posição singaporeana se descreve como mainstream global, com proteção equilibrada e neutralidade tecnológica. Não confirmado nesta redação: alinhamento automático com futura regulamentação europeia ou brasileira.

Em julho de 2026, a Personal Data Protection Commission publicou orientações, retomadas pelo The Straits Times em matéria sobre scraping de arte, permitindo que organizações coletem dados publicamente disponíveis para IA generativa sem consentimento em certos casos. Esse quadro de privacidade é paralelo ao de copyright, mas mostra que Singapura está legislando em várias frentes simultâneas.

O que está comprovado e o que falta

Confirmado em 26 de agosto de 2026: abertura da consulta; período até 22 de outubro; anúncio de Edwin Tong no Global Forum on IP; três eixos de copyright e dois de patentes no PDF oficial; menção explícita a imagens entre obras disputadas em processos globais; formulários FormSG e e-mail; publicação do paper em mlaw.gov.sg/files/Public_Consultation_on_AI_and_IP_20260826.pdf.

Alegação do governo no paper: exceção CDA já cobre machine learning generativo com acesso lícito. Pendente: texto legislativo final, multas, compensação obrigatória a fotógrafos, reconhecimento de opt-out técnico como barreira legal.

Não confirmado para o Brasil: tradução oficial do paper; participação automática de autores brasileiros no FormSG; efeito direto sobre modelos hospedados fora de Singapura. Extrapolação proibida: afirmar que outubro trará proibição total de treinar com fotos públicas.

Checklist para quem acompanha a pauta

1. Consulta aberta em 26 de agosto; comentários até 22 de outubro de 2026, 17h, horário de Singapura.

2. Copyright inclui treinamento, saída infratora e criatividade humana em fluxos com IA generativa.

3. Exceção CDA de 2021 permanece central; debate agora é refinamento, não revogação imediata.

4. Fotógrafos devem separar arquivo-mestre de versão web enquanto regras evoluem.

5. Resultado da consulta orientará política; não é lei em vigor no dia do anúncio.

O paper singaporeano não fecha o debate hoje, mas coloca o treinamento de IA com fotos e ilustrações protegidas na mesa de comentários públicos até outubro.